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FÉ E POLÍTICA

 

- “Os desafios da humanidade”

á cerca de três anos, durante uma palestra para os pais e responsáveis dos alunos de uma escola no Rio de Janeiro sobre o papel destes na educação dos filhos para um mundo melhor, eu fui perguntado sobre o quanto realmente poderíamos transformar esse mundo apenas com a educação dos filhos. Essa pergunta muito me entristeceu uma vez que eu percebi uma grande dose de descrença e egoísmo contido nela. Descrença em função da sensação de impotência frente ao terrível cenário de um mundo doente dominado por graves problemas como a fome, o desemprego, a violência e a miséria da maioria da população mundial (dois terços dos habitantes do planeta vivem abaixo da linha da pobreza, segundo a ONU). Egoísmo em função da “impossibilidade” em renunciar a alguns privilégios pessoais para dar a sua parcela de contribuição para um mundo melhor. Aliás, é exatamente sobre esse sentimento de egoísmo que eu gostaria de aprofundar aqui em nossa coluna neste mês.

Além do número estarrecedor de pobres em nosso planeta que passam fome e miséria, podemos perceber que estes graves problemas não acontecem por escassez de alimentos. A produção mundial de alimentos é suficiente para alimentar 11 bilhões de pessoas por dia, enquanto que a população mundial, segundo a ONU, é próxima dos 6,3 bilhões de seres humanos. A conseqüência disso? Morrem 24 mil pessoas por dia de fome no mundo. A fome mata mais que o acidente no trânsito, do que a AIDS, do que o Câncer e do que as guerras. Podemos seguramente afirmar que a verdadeira arma de destruição em massa no mundo é a fome. Ela mata em um mês mais do que a quantidade de pessoas que as armas nucleares já vitimaram no planeta. Tudo isso ainda é agravado pela equivocada política neo-liberal de valorização do consumo. Como já falamos aqui antes, o ter, infelizmente, vale muito mais em nossa sociedade “moderna” do que o ser.

Segundo as estimativas oficiais da ONU, com os esforços atuais para combater a fome, esse mal somente será eliminado do mundo provavelmente depois de 2030. Entretanto, em função de “pressões internacionais das grandes potências”, esse número já começa a ser revisto para, infelizmente, pior. Em outras palavras, a fome ainda não é considerada pelas grandes potências mundiais como prioridade em suas iniciativas governamentais.

Todos estes dados podem, sob uma análise superficial, fortalecer a posição do pai na minha palestra. Ora, o que podemos (ou, segundo as palavras dele, poderíamos) fazer para mudar isso se esse problema não é encarado com a devida prioridade pelas autoridades políticas internacionais? 

Precisamos tomar muito cuidado com esse tipo de abordagem. A pergunta, por si só, já traz uma terrível armadilha que reconforta a nossa alienação. Colocamos os tais “líderes mundiais” como únicos responsáveis pelo problema. E esse é o grande e terrível equívoco. Estes homens não são nada mais do que o reflexo dos nossos anseios, dos nossos desejos e, por que não dizer, das nossas atitudes. Todos os governantes são conduzidos ao poder - ou deveriam ser - para atender as necessidades do seu povo.
As políticas públicas são reflexos da atitude desse povo. E se essa atitude precisa, antes de qualquer coisa, ser pautada e respaldada no coletivo e no bem-comum. Façamos um exame de consciência: será que a nossa sociedade realmente deseja, ou melhor, demonstra que a fome e os interesses da maioria sobrepujem os seus interesses particulares? Aqui mesmo no Brasil quando votamos, por exemplo, em nossos parlamentares escolhemos pensando no coletivo, ou nos favores e vantagens que essa pessoa irá trazer para nós?

Precisamos rever as nossas atitudes e as nossas escolhas. Se não fizermos isso com urgência acabaremos nos tornando reféns deste mundo cruel e doente. É urgente a necessidade de quebrarmos o paradigma dos falsos valores do individualismo. 
Pensar e agir em função do coletivo é um dos grandes ensinamentos de Cristo para as nossas vidas. Somente assim é que fugiremos das armadilhas deste mundo e conseguiremos, finalmente, trazer o Reino dos Céus até nós.

Um grande abraço, a Paz de Cristo e vamos colocar sempre o “Bem Comum acima de tudo”.

Robson Leite
www.robsonleite.com.br 
Email: feepolitica@terra.com.br

 

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