Igreja Nossa Senhora da Penha

Editorial

“Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de voltar”

 

Com estas palavras iniciamos solenemente a Quaresma tempo de conversão, tempo de mudança de vida e volta para o Pai. Somos convidados a percorrer o nosso êxodo pessoal isto é, a nossa trajetória pessoal de reconciliar com Deus.

A Quaresma nos convida a crescer na humildade, reconhecendo nossa miserabilidade diante da infinita Bondade e Misericórdia de Deus.

 

A Igreja Católica propõe três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma consequência da penitência.


O Papa Bento XVI em sua mensagem para a Quaresma deste ano nos lembra: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21 – 22).”

“Detenho-me sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romano do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais intimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado á sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena centenas de milhões de seres humanos á morte por falta de alimentos, de água e de medicamentos - , mas a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o “suo” que lhe é devido. Como e mais do que o pão ele de fato precisa de Deus. Nora Santo Agostinho: se “a justiça é a virtude que distribui a cada um o que é seu…não é justiça do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus”

        
Amados irmãos aproveitemos esta Quaresma para crescermos na humildade e sobretudo reconhecermos os imensos benefícios que Deus nos dá muito além do que merecemos.

            UMA SANTA E ABENÇOADA QUARESMA!

Pe. Henrique Ney

 

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